O passo a passo do reflorestamento de um dos principais santuários ecológicos do estado do Rio de Janeiro, a APA Guapi-Mirim, tem hoje a tecnologia ao seu lado além do trabalho de engenheiro florestal, biólogos e especialistas ambientais: um Drone. O equipamento começa a ser utilizado por integrantes do Projeto Uçá, que além de monitorarem o crescimento das mudas, trabalham na sua evolução e no impacto positivo que essas ações podem causar neste ponto, do lado nordeste da Baía de Guanabara.
Na primeira etapa, o Uçá que é administrado pelos Guardiões do Mar e conta com o Patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, já reflorestou 8,7 hectares de mangue. Para se ter uma ideia, somente com o replantio realizado nesta área, o Projeto Uçá neutralizou carbono referente a 462 carros durante um ano.
Apostando e comemorando os resultados positivos, o Projeto Uçá já iniciou o reflorestamento de uma nova área com o objetivo de minimizar esses impactos provocados pelo homem e nesta nova etapa começou a reflorestar 9,0 hectares (90.000 m²).
O terreno já está sendo trabalhado para receber novas mudas. Para realizar as atividades no local, o Projeto Uçá firmou parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, (ICMBio), que através da APA de Guapi-Mirim além da Estação Ecológica da Guanabara desenvolve também , ações efetivas visando a recuperação dos manguezais da Baía de Guanabara. O projeto também firmou parceria com a Estação Ecológica de Carijós em Florianópolis ( para educação ambiental naquela cidade) e Cooperativa Manguezal Fluminense, dentre outras.
Segundo Pedro Belga, Presidente dos Guardiões do Mar e Coordenador Geral do Projeto Uçá o uso da tecnologia será muito importante para ajudar a acompanhar a evolução do trabalho de recuperação do manguezal realizada por toda a equipe do projeto. A ideia segundo ele, é criar também um banco de armazenamento de imagens que ao longo do tempo será importante tanto para a equipe do Uçá como para os parceiros, estudiosos e público em geral.
Belga explica que as imagens aéreas captadas, dependendo da altura em que se elevar o Drone, podem revelar situações importantes para o monitoramento e fiscalização da área. As imagens e os vídeos também serão colocadas à disposição da sociedade como um todo, através dos mecanismos de rede social do Projeto Uçá e no site www.projetouca.org.br.
“ O Drone só será utilizado na área de manguezal que não compõem o espelho d’água da Baía de Guanabara e somente nos limites da APA de Guapi-Mirim. Sabemos da importância desse santuário para o ecossistema da Baía de Guanabara e para a manutenção de diversos organismo vivos que compõem o ambiente. Não estamos falando simplesmente de um reflorestamento. Estamos falando de colaborar com a neutralização de carbono e ainda compartilhar com a sociedade com os resultados desse trabalho. Será importante como fonte de pesquisa e para que as pessoas entendam o significado e importância de preservação do manguezal para a vida como um todo” explicou Pedro Belga.
Projeto alia replantio de manguezais com educação ambiental
Além do reflorestamento de manguezal, um dos objetivos do Projeto Uçá é a realização do trabalho de educação ambiental em oito municípios da Baía de Guanabara. Tornou-se referência nacional com certificado do Ministério do Meio Ambiente por meio do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria de Articulação e Cidadania Nacional, pela aplicação de boas práticas ambientais e gestão de resíduos sólidos.
O Projeto Uçá leva educação ambiental para escolas, condomínios e associações em geral, para oito municípios do entorno da Baía de Guanabara. A Caravana Ecológica, que é gratuita, é realizada com atividades lúdicas e interativas e está direcionada para crianças, jovens e pessoas da terceira idade. Acontece em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Magé, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Petrópolis e Teresópolis municípios do entorno da Baía de Guanabara que jogam seus dejetos.
Através de um jogo interativo nos “Caminhos do Uçá”, o caranguejo uçá, que dá o nome ao projeto, ajuda os participantes a não cometerem “atos ruins” ao meio ambiente, como jogar lixo no chão ou pela janela do carro. O jogo vai acontecendo e, dicas de boas práticas vão sendo passadas de forma agradável e de fácil assimilação.
“Esse trabalho é um dos mais importantes que podem ser feitos para ajudar a minimizar impactos do “lixo” flutuante despejado diariamente na Baía de Guanabara. Não adianta somente limpar ou fazer ligações de estações de esgoto, tem que educar para que o povo não jogue o lixo em rios, mares e lagoas. Esse mês, quando muitos organismos se dedicam a comemorar o dia do meio ambiente, é bom que essa mensagem sirva de lição e fique gravada. Educação ambiental é coisa séria, e isso deve ser passado de pai para filho e ensinado em escolas “adverte o biólogo.
Fonte: Jornal do Brasil
segunda-feira, 1 de junho de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Drone é capaz de plantar 1 bilhão de árvores em um ano
São Paulo - Frear o desmatamento e recuperar tudo o que foi
destruído por ele é um dos maiores desafios do nosso tempo.
Atenta ao problema, uma startup britânica resolveu apostar no poder
dos drones para plantar um bilhão de árvores por ano, uma solução à altura da
devastação "industrial" das florestas.
Segundo a BioCarbon Engine, o uso de drones seria mais eficiente e
preciso que os métodos tradicionais adotados no mercado, como o plantio manual
de árvores ("lento e caro") e a distribuição de sementes secas por
via aérea ("de baixas taxas de fixação").
"Nossa solução equilibra esses dois métodos. Em primeiro lugar, por
meio do plantio de sementes germinadas, utilizando técnicas de agricultura de
precisão. Em segundo lugar, por ser escalável e automatizada, a nossa
tecnologia reduz significativamente os requisitos de mão de obra e
custos.", diz a empresa em seu site.
Mapeamento
Em um primeiro momento, com ajuda de um drone, a BioCarbon reúne dados
detalhados do terreno, a fim de produzir mapas 3D de alta qualidade sobre as
terras agrícolas, plantações e áreas a serem restauradas.
Plantio
Usando os dados de mapeamento, os drones realizam as atividades de
plantio de precisão. A esperança vem do alto na forma de pequenas cápsulas que
se rompem ao atingir o solo, liberando, assim, as sementes germinadas.
Monitoramento
Outra importante parte do projeto é o monitoramento do plantio. Esta
informação ajudará a fornecer avaliações da saúde do ecossistema ao longo do
tempo.
Fase do projeto
O projeto de reflorestamento em escala industrial a partir de drones
ainda não está completamente pronto para uso comercial, mas o seu protótipo, que ganhou R $ 20 mil em fundos do Centro de Empreendedorismo Skoll no
ano passado, deve entrar em pleno funcionamento até o final do ano.
Veja um vídeo sobre o projeto abaixo:
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Em breve, drones poderão oferecer realidade aumentada
Os drones são aviões não tripulados que podem ser muito úteis, em
diversas áreas profissionais, devido à possibilidade de carregar uma câmera
embutida, e cada vez mais estão se tornando parte dos planos de empresas como o Facebook, que
já realizou testes com eles. Através deles, obtemos imagens
filmadas, que podem ser espetaculares. Mas e se pudermos capturar, além das
imagens dos locais por onde o drone passa, algo
que ainda nem existe?
Essa é a proposta da Sysveo, uma empresa que está desenvolvendo um
software que permitirá aos drones não apenas realizar as filmagens, como normalmente
já fazem, mas também inserir
realidade aumentada em 3D em tempo real nos vídeos que produzirem.
Segundo a companhia, o setor
da arquitetura pode
ser muito beneficiado com a tecnologia. Imagine a possibilidade de filmar uma
área onde ainda está sendo preparado o terreno para receber as obras e ao mesmo
tempo visualizar o conceito
do projeto em 3D inserido no lugar, mostrando como tudo deverá
ficar no final das construções e permitindo fazer os ajustes necessários. O
drone transmitirá as imagens acompanhadas de um modelo realista da planta a ser
construída.
O projeto da Sysveo ainda está em fase de desenvolvimento e a previsão é
de 12 meses para que possa ser lançado como um produto final. Ainda assim,
segundo o site Motherboard, que conversou com o CEO da companhia, Clement
Alaguillaume, o empresário está bem confiante que o setor da arquitetura se
interessará pela sua tecnologia. Para ele, os arquitetos poderão facilmente tomar decisões em tempo real sem a necessidade de voltar ao
escritório, e poderão realizar quantas simulações forem necessárias.
A ideia da Sysveo foi financiada pela European Space Agency, utilizando
uma patente adquirida em 2013, originalmente registrada pela CNES (agência
espacial francesa). Uma das grandes vantagens da iniciativa é que não há
necessidade de aprimorar ou inovar os drones em si. Tudo acontece dentro do software, capaz de buscar
em uma biblioteca os arquivos enviados pelo dono do avião, e inserir os
gráficos nos vídeos que estiver transmitindo.
Outra grande vantagem na jogada da Sysveo é que esse software será
lançado em código
aberto, para possibilitar alterações necessárias para que seja
utilizado em qualquer drone. Assim, será possível utilizar tanto os aviões mais
profissionais, quanto aqueles não tão poderosos, segundo Alaguillaume.
Fonte: Tudo Celular
quinta-feira, 26 de março de 2015
Amazon tem permissão para enviar entregas através drones nos Estados Unidos
A Amazon recebeu permissão para
realizar testes de entregas com drones (veículos aéreos não tripulados) nos
Estados Unidos, nesta semana. A empresa terá que manter os aparelhos voando a,
no máximo, 400 pés de altura e somente durante o dia. Conforme determinação da
Federal Aviation Administration, que regula o voo de aeronaves no pais.
Revelado no final de 2013, o projeto
chamado Amazon Prime Air consiste em agilizar as entregas de produtos comprados
em sua loja virtual utilizando drones com oito hélices, que não precisam de
pilotagem remota humana e podem carregar encomendas até 2,3 kg, como livros ou
Blu-Rays.
Nesta fase do projeto, os drones
precisarão ser operados por humanos que tenham brevês de pilotos. Ainda assim,
isso representa progresso para a Amazon, como lembra o NYT, que até agora era
forçada a realizar testes em ambientes fechados em sua sede em Seattle. Foram
necessários vários meses de lobby para que a empresa conseguisse a aprovação
para colocar os drones voando pela cidade.
No anúncio do Amazon Prime Air, Jeff
Bezos, CEO e fundador da empresa, disse acreditar que os drones autônomos não
seriam colocados em uso pelos próximos quatro ou cinco anos, o que nos leva à
previsao de que o serviço estará funcionando em 2018. Resta saber se a Amazon
conseguirá a aprovação das autoridades para isso.
Fonte: Info
sexta-feira, 13 de março de 2015
GNR demonstra 'drones' no controlo de doenças da vinha
De acordo com a fonte da Secretária de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar a experiência surge na sequência do projeto-piloto iniciado o ano passado por aquela força policial de utilização de 'drones' na vigilância e prevenção de fogos florestais.
A mais-valia da aplicação daquela tecnologia à fileira do vinho poderá originar, segundo aquela fonte, uma candidatura a apresentar aos novos fundos europeus do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020).
A candidatura conjunta integrará, adiantou, o Instituto Nacional de Investigação Agrária, a Direção Geral Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), a GNR, empresas especialidades naquela tecnologia e outras entidades do setor vitivinícola.
A mais-valia da aplicação daquela tecnologia à fileira do vinho poderá originar, segundo aquela fonte, uma candidatura a apresentar aos novos fundos europeus do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020).
A candidatura conjunta integrará, adiantou, o Instituto Nacional de Investigação Agrária, a Direção Geral Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), a GNR, empresas especialidades naquela tecnologia e outras entidades do setor vitivinícola.
No sábado, em Arcos de Valdevez a demonstração a realizar pela GNR vai decorrer as potencialidades daqueles meios aéreos na deteção da flavescência dourada da videira, uma doença muito grave que provoca a morte da vinha.
A sessão vai decorrer na Estação Vitivinícola Amândio Galhano, um centro de experimentação e investigação vitivinícola criado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) naquele concelho do distrito de Viana do Castelo.
Segundo a fonte daquela secretaria de Estado trata-se de um método de monitorização "mais ágil" das doenças que afetam a vinha e com resultados "mais rápidos" na delimitação e tratamento das mesmas.
Explicou que a possibilidade de utilização de ?drones' na fileira do vinho surge na sequência do projeto-piloto lançado no Alto Minho, em outubro de 2014, de aplicação daquela tecnologia à prevenção e combate a incêndios florestais.
Aquele projeto que permite através de um sistema informático operar a aeronave à distância foi apresentado no Centro de Meios Aéreos (CMA) dos Arcos de Valdevez, na freguesia de Tabaçô.
O 'drone', denominado Falcão foi desenvolvido por uma empresa privada e é operado por elementos da GNR, ao abrigo do programa VIANA de combate a incêndios, rescaldo e pós-rescaldo, bem como outras missões, tais como a de preservação da natureza, de busca e salvamento e de proteção de espécies.
Aquele sistema é também já utilizado pelo projeto transfronteiriço de Assistência Recíproca Inter-regional em matéria de Emergências (ARIEM-112) que em 2014 anunciou um investimento de 600 mil euros em 'drones' para reforçar a prestação de socorro aos cidadãos.
Na altura, fonte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) explicou à Lusa que aquisição deste "equipamento sofisticado" vai "aumentar a capacidade de resposta em emergência" de um serviço que cobre uma população de quase 572 mil pessoas de 109 municípios do Norte de Portugal, Galiza, Castela e Leão.
Fonte: Notícias ao Minuto
quarta-feira, 11 de março de 2015
Câmara aprova sugestão de usar drones no combate a dengue em Curitiba
A Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou, nesta segunda-feira (9), sugestão à Prefeitura Municipal para que sejam utilizados drones (veículos aéreos não tripulados guiados por controle remoto) com o objetivo de localizar e combater focos do mosquito da dengue em locais de difícil acesso. O requerimento apresentado por Zé Maria (SD) indica a realização de mapeamento, vistoria e o registro das imagens. "A cada voo, uma câmera acoplada ao drone pode mapear pontos de difícil acesso para os agentes de saúde em busca de criadouros e de água parada", explicou o parlamentar.
Durante o debate, Zé Maria apresentou em plenário reportagem do Jornal Nacional que mostrou a utilização de drones na cidade de Limeira (interior de São Paulo) e os bons resultados obtidos com a ação. "Sabemos da gravidade da dengue e as mortes que ela tem causado. Várias cidades já estão buscando esse recurso tecnológico para o combate à doença, pois tem excelente relação custo-benefício", observou.
Segundo o vereador, o principal objetivo é sobrevoar locais de proliferação do mosquito. "Para verificar se há caixas d'água sem tampa, água parada em lajes de residências ou edificações, imóveis para locação, piscinas sem tratamento, e em casas abandonadas que a equipe não consiga ter acesso. Tudo o que for para a gente somar à prevenção para evitar a proliferação de criadouros, é importante colocar em prática", observou o autor da sugestão.
Ele adverte para "as imagens, como prova substancial para que a prefeitura consiga pressionar, sob pena de multa, proprietários que se negam a atender os agentes e flagrar caixas d’água com vazamentos e lajes com criadouros". Ainda segundo Zé Maria, "a utilização desta nova tecnologia também pode colaborar na redução de outros custos até agora dispendidos, que podem ser redirecionados, criando-se um banco de dados e imagens de controle e mapeamento, evitando, ainda, o constante acionamento de órgãos como o Ministério Público".
A sugestão recebeu apoio em plenário de diversos vereadores. Bruno Pessuti (PSC) alertou para as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre o uso de drones e comentou sobre a possibilidade de outros usos do equipamento, como na fiscalização de obras. Jorge Bernardi (PDT) e Helio Wirbiski (PPS) também registraram apoio à iniciativa.
Segundo o vereador, o principal objetivo é sobrevoar locais de proliferação do mosquito. "Para verificar se há caixas d'água sem tampa, água parada em lajes de residências ou edificações, imóveis para locação, piscinas sem tratamento, e em casas abandonadas que a equipe não consiga ter acesso. Tudo o que for para a gente somar à prevenção para evitar a proliferação de criadouros, é importante colocar em prática", observou o autor da sugestão.
Ele adverte para "as imagens, como prova substancial para que a prefeitura consiga pressionar, sob pena de multa, proprietários que se negam a atender os agentes e flagrar caixas d’água com vazamentos e lajes com criadouros". Ainda segundo Zé Maria, "a utilização desta nova tecnologia também pode colaborar na redução de outros custos até agora dispendidos, que podem ser redirecionados, criando-se um banco de dados e imagens de controle e mapeamento, evitando, ainda, o constante acionamento de órgãos como o Ministério Público".
A sugestão recebeu apoio em plenário de diversos vereadores. Bruno Pessuti (PSC) alertou para as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre o uso de drones e comentou sobre a possibilidade de outros usos do equipamento, como na fiscalização de obras. Jorge Bernardi (PDT) e Helio Wirbiski (PPS) também registraram apoio à iniciativa.
Fonte: Bonde
segunda-feira, 9 de março de 2015
DRONES: Quem os vigia?
POR CIMA
A expressão "o céu é o limite" soa antiquada em 2015, enquanto o
mundo fica cada vez mais fascinado com a rápida ascensão tecnológica dos
drones. Mesmo sem a regulamentação para a utilização deles no Brasil,
não é difícil encontrar quem já tenha um desses aparelhos, à venda em
lojas e sites nacionais e internacionais - só é ilegal colocá-los para
voar, não comprá-los. E esse é um ponto essencial da história dos
drones: a complexidade de se compreender que algo com aspecto de
brinquedo possa ser uma arma ou um instrumento de repressão. É também
uma questão de localização geográfica: se você estiver nos Estados
Unidos ou Israel, é possível que os associe prontamente à guerra; no
Brasil, a divertidas imagens aéreas antes só captadas por equipamento
profissional e helicópteros.Esses veículos aéreos não tripulados (conhecidos pela sigla Vant no Brasil) têm conquistado cada vez mais espaço - e em áreas completamente distintas. Talvez seja a possibilidade de se fazer imagens aéreas, algo antes reservado apenas aos grandes estúdios de cinema ou redes de televisão. Mas a origem desses aparelhos, a mesma que permitiu e impulsionou o rápido desenvolvimento tecnológico deles, e sua utilização futura ainda são obscuras e questionáveis.
Uma piada curta expõe bem a complexidade do uso de drones em batalhas, algo feito com intensidade pelos Estados Unidos desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. "O Jonas Brothers estão aqui, em algum lugar, a Sasha e a Malia são fãs deles", disse o presidente Barrack Obama em um evento da Casa Branca, em 2010, referindo-se à paixão das filhas pelo grupo pop. "Mas, rapazes, não venham com ideias. Tenho duas palavras: drones Predator - vocês nunca os verão se aproximando." Quem passou pelo terror de ver drones militares em ação não viu graça na fala de Obama. O presidente foi duramente criticado pela falta de consideração com as vítimas - muitas delas civis - dos drones norte-americanos usados em países como Afeganistão e Paquistão. Neste ano, a temática voltou para assombrá-lo. Quando um Vant caiu no jardim da residência oficial do presidente em janeiro, os protocolos de segurança foram acionados imediatamente. Ironicamente, apenas as filhas de Obama estavam na Casa Branca no momento do incidente (o drone era de um funcionário do Serviço Secreto e a queda foi acidental).
O governo dos Estados Unidos, portanto, já está ciente dos possíveis perigos dos drones. E ele não está só: entidades de direitos humanos apontam um número de vítimas civis impressionantemente maior nas áreas em que drones são usados como arma de ataque, além de criticar duramente o uso deles em vigilância mesmo fora de zonas de conflito. Talvez por isso o processo de regulamentação do uso comercial dessas máquinas ainda seja um desafio, tanto para o Brasil quanto para os norte-americanos. Não será fácil entender os limites de um aparelho que pode ser de utilidade pública, às vezes um brinquedo, de uma arma.
CAMPEÃO DA GUERRA
O MQ-9 Reaper está entre os modelos mais modernos usados para ataques militares
Armado com mísseis Hellfire e bombas que podem ser guiados por laser ou GPS
Câmera
frontal no nariz, com um sistema multiespectral com sensores e câmeras
que capturam imagens em alta definição logo abaixo, à frente do drone.
O controle é feito por 2 pessoas, remotamente, do solo
Pode permanecer no ar por 30 horas consecutivas (se estiver desarmado) e 14h (quando carregado de armamentos).
Voa a mais de 15 mil metros de altura, a uma velocidade de até 490 km/h.
EMPURRÃO DO TERROR
"Tinham couraças como couraças de ferro, e o som das suas asas
era como o barulho de muitos cavalos e carruagens correndo para a
batalha." O versículo 9 do capítulo 9 do livro de Apocalipse, na
"Bíblia", é apontado por muitos como uma previsão de uma grande guerra
de drones que, junto a outros acontecimentos, levaria ao fim do mundo.
Mais realista é observar como uma batalha menos visível, a "guerra ao
terror", impulsionou essa tecnologia ao longo dos anos, tornando a
passagem bíblica algo real para alguns países.
Os drones como os conhecemos hoje são um produto direto dos
ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Foi depois deles que o
exército norte-americano voltou a investir nesse tipo de tecnologia para
poder atuar à distância em diversos países, principalmente no Iraque,
Afeganistão, Paquistão e Síria. Enquanto os norte-americanos haviam se
desinteressado pelos drones, a tecnologia continuou a ser desenvolvida
por Israel nos anos 70 e 80 - mas não da mesma forma que ela evoluiu
depois da queda das Torres Gêmeas. "O Pentágono encomendava essas
máquinas mais rápido do que as empresas conseguiam produzi-las", relata a
ativista Medea Benjamin no livro "Drone Warfare: Killing by Remote
Control" ("Guerra de Drones: Matando por Controle Remoto", em tradução
livre). "Em 2000, o Pentágono tinha menos de 50 drones aéreos; 10 anos
depois, tinha quase 7500."
Hoje, a partir de centrais de controle em solo ianque, pilotos e
operadores comandam frotas de vigilância e ataque devastadoras. Henry
Kissinger, secretário de Estado dos governos de Richard Nixon e Gerald
Ford, polemizou no ano passado ao comparar conflitos antigos com
recentes. Em entrevista à rede de rádio NPR, ele tentou relativizar a
muito criticada ação dos EUA no Camboja, nos anos 60 e 70, quando ele
fazia parte do governo. "Acredito que o princípio seja essencialmente o
mesmo. Você ataca locais onde acredita que as pessoas que estão te
matando operem. Você faz da forma mais limitada possível. E aposto que
se alguém fizesse uma verificação honesta, haverá menos vítimas civis no
Camboja do que há vítimas de ataques de drones norte-americanos." O
número de civis mortos no Camboja não é conhecido, mas estudiosos
acreditam que possa estar entre 4 e 50 mil pessoas. Não é uma quantidade
que possa ser considerada baixa, seja qual for.
Os críticos ao uso de veículos aéreos não tripulados alegam que a
ausência física de um piloto faz com que os militares arrisquem mais -
sendo que o principal risco é para a vida alheia. "Vemos silhuetas,
sombras de pessoas", contou o ex-operador de drones militares
norte-americanos Brandon Bryant à BBC. "E nós matamos aquelas sombras",
completa. Bryant diz ter participado de ações que mataram mais de 1600
pessoas ao longo de cinco anos. O fato de os Estados Unidos não
liberarem informações precisas sobre o programa de Vants militares só
piora a situação, já que não deixa claro à sociedade como possíveis
erros poderiam ser punidos. Porque, na verdade, segundo ex-militares,
eles não são.
AQUELE QUE TUDO VÊ
Claro que nem só de ataque bélico sobrevive a função de um drone
contemporâneo. Popular e barato, ele é personagem cada vez mais
constante em diversas áreas. E, naturalmente, passou a ser um
requisitado instrumento de segurança - ainda que de modo experimental.
Nos Estados Unidos, a polícia de algumas cidades ainda tentam adotar o
uso de veículos aéreos não tripulados. Em Seattle, por exemplo, a ideia
foi tão mal recebida pela população (alegando uma invasão desnecessária
da privacidade do cidadão) que os aparelhos foram devolvidos ao
fabricante antes mesmo de ganharem os céus. Dependendo do modelo e seus
acessórios, um aparelho desses pode vigiar uma pessoa com visão noturna,
detecção de calor, identificação de placas de veículos e tudo isso com
uma grande possibilidade de não ser visto. É uma linha extremamente
tênue entre vigilância e espionagem.
No Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) ainda está
em processo de regulamentar a utilização comercial dos aparelhos. Por
enquanto, qualquer uso que não seja militar requer uma autorização do
órgão. Em ambiente urbano, o 32º Batalhão da Polícia Militar do Rio de
Janeiro, em Macaé, já usou um drone em operações contra o tráfico de drogas
(em e-mail, a assessoria de imprensa da PM-RJ negou que atualmente
possua esse tipo de aparelho, mas se recusou a dar mais detalhes). A PM
de Lavras, em Minas Gerais, também contou com apoio de um Vant em uma
operação que localizou uma plantação de maconha no quintal de uma
residência. Consultada pelo TAB, a Anac confirmou que a PM
precisa de autorização para esse uso. "São consideradas militares apenas
as integrantes das Forças Armadas e aquelas requisitadas na forma da
lei para missões militares. As aeronaves de Polícia Militar são
consideradas civis, conforme prevê o art. nº 107 do Código Brasileiro de
Aeronáutica", disse a agência por meio de comunicado.
Já a FAB (Força Aérea Brasileira) - que não precisa de
autorização da Anac - tem investido no uso de Vants para vigilância.
Desde abril de 2011 a unidade aérea 1°/12° Grupo de Aviação já usou
drones nas Operações Ágata (na fronteira do Brasil, de 2011 a 2014), nas
ações de segurança durante a Rio+20 (em junho de 2012), Copa das
Confederações (julho de 2013) e na Copa do Mundo (junho e julho de
2014). A base fica em Santa Maria (RS), onde estão quatro Vants de
fabricação israelense Hermes 450 e um Hermes 900. Segundo a FAB, eles
"são equipados com sistemas eletro-ópticos capazes de localizar e
acompanhar alvos tanto de dia quanto de noite, e assim podem cumprir
missões de busca, controle aéreo avançado, reconhecimento, Garantia da
Lei da Ordem, dentre outras". Nos próximos anos, há planos para que
novas unidades como a de Santa Maria sejam criadas nas regiões
Centro-Oeste e Norte.
A utilização mais ampla dessa tecnologia - sem que ela seja
regulamentada - abriria as portas para um universo de incertezas, como
questiona Jorge Machado, professor de Gestão de Políticas Públicas da
USP (Universidade de São Paulo). "Será que as imagens de uma pessoa que
está participando de uma manifestação - ou andando na rua - podem ser
usadas contra ela? E se elas estão sendo filmadas e fotografadas sem
saber? É um problema muito sério", afirma. "Creio que precisaríamos de
legislação que protegesse mais o cidadão de uma invasão de privacidade
da qual ele não tem o mínimo conhecimento - e contra a qual ele não tem
nem como reagir. A solução é essa: legislar, não demonizar o drone.
Assim como é feito com a internet", completa.
Por enquanto, a situação é complexa. Pense na seguinte cena: você
está em casa em um domingo ensolarado, vendo TV, e um drone surge na
sua janela com a câmera virada para você. O que fazer para punir o
responsável por essa invasão da sua privacidade? Não muito. É possível
se queixar à Anac, que vai analisar se aquele voo foi irregular - mas só
se houver uma suspeita de que há algo de errado e, mais que isso, você
tenha indícios da possível infração (imagens do aparelho em ação, por
exemplo). O órgão considera as denúncias essenciais, mas como a
quantidade delas é grande, não tem como investigar as que não venham com
informações concretas. E isso tudo seria apenas relativo a um possível
voo irregular, não à invasão da sua privacidade.
"Por enquanto não existe uma legislação específica sobre isso,
mas o Código Civil tem um dispositivo que protegeria a pessoa de ter a
intimidade violada. Ela poderia submeter isso ao judiciário", explica a
advogada Tais Borja Gasparian, mestre pela Faculdade de Direito da USP e
especialista em direito civil. "É o artigo 21 do Código Civil, que fala
que a vida privada da pessoa é inviolável, e o juiz, a requerimento do
interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer
cessar ato contrário a essa norma." Então, se você souber que sendo
filmado, pode entrar com uma medida judicial com base nesse dispositivo e
requerendo não ser mais. "E aí o juiz vai decidir, tentar saber quem
está fazendo isso, se existe motivo, se é para a segurança nacional",
completa a advogada.
Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do
Rio de Janeiro e professor de Propriedade Intelectual da Faculdade de
Direito da UERJ, acredita que o Brasil ainda está atrasado na área
relativa à privacidade do cidadão - e não só em relação aos drones de
vigilância. "Vale lembrar que o Brasil não tem até hoje uma lei de
proteção de dados pessoais", diz. "Ou seja, informações das pessoas,
como sua localização, seu comportamento na internet, seus traços
faciais, sua biometria, os dados do seu DNA, nada disso encontra
proteção legal específica no Brasil. Só para ter uma base de comparação,
outros países têm leis para proteger essas questões há mais de 20 anos.
Mesmo vizinhos latino-americanos, como a Argentina ou a Colômbia, já
possuem suas leis sobre o tema. Com isso a situação fica completamente
desregulada no que diz respeito à privacidade." Ele aponta para uma
esperança futura, entretanto: a consulta pública de um anteprojeto de
lei para a proteção de dados pessoais.
"Este é o primeiro passo no longo caminho de formulação de uma lei
semelhante no Brasil. Até isso acontecer, a situação muito provavelmente
continuará como está", afirma.
MEDO PARA TODOS
Se o caminho para a regulamentação ainda não é claro nem para os
Estados Unidos, pelo menos um ponto em relação aos drones é: se você
pode utilizá-los contra alguém, alguém pode utilizá-los contra você. O
caso do Vant no jardim da Casa Branca foi só uma explicitação de algo
que já preocupa o governo Obama há tempos: mesmo os veículos aéreos não
tripulados mais básicos, vendidos em lojas, podem ser adaptados para
ataques terroristas. Segundo a revista "Wired", os EUA realizaram uma
série de testes - incluindo um no qual um comboio de tanques militares
guerreou com o equivalente a US$ 5 mil em drones. Quem ganhou? Os
"brinquedos". Em um mundo onde o principal inimigo dos norte-americanos,
o Estado Islâmico, prospera com o uso eficiente de equipamento variado,
o perigo está à espreita - rebeldes sírios estão importando Vants
comuns para serem usados em ataques, segundo o governo Obama. Pode ser
um exemplo extremo, mas ele é adaptável a diferentes realidades. Drones
já foram flagrados entregando drogas e telefones celulares em cadeias de
diversas partes do mundo, inclusive do Brasil.
Esses "desvios de conduta" dos Vants disparam um alarme de alerta
nas fábricas há algum tempo. Diversos modelos comerciais têm um
firmware que os impede de voar em áreas de aeroportos, e uma atualização
recente da marca DJI - fabricante do popular Phantom - também impôs
restrições de um raio de 25 quilômetros ao redor da Casa Branca. É só um
paliativo: nada impede que os firmwares - as programações do sistema do
aparelho - sejam modificados ou refeitos pelos usuários mais
experientes, mas demonstra boa vontade da empresa em relação à segurança
de um país traumatizado pelo 11 de setembro. Sim, os mesmos ataques
terroristas que impulsionaram a tecnologia dos drones. E tudo o que
vinha sendo usado contra o inimigo pode se tornar uma vantagem para ele:
o controle de forma remota, a dificuldade em se identificar que está
fazendo o ataque, a ousadia da falta de riscos. Repete-se também uma
tradição histórica de - sempre de forma indireta - os norte-americanos
fornecerem armamentos aos próprios inimigos. Se na época da guerra entre
Irã e Iraque o apoio ao segundo o fortaleceu para que mais tarde ele se
virasse contra os EUA, no período atual - em que o inimigo é abstrato e
sem uma nação definida -, o armamento é "fornecido" por meio de uma
tecnologia surgida para a guerra, adaptada para o entretenimento, e que
pode ser reformatada, mesmo que com improvisos, para voltar à origem
bélica.
A história aponta com clareza: sem uma regulamentação, corre-se o risco
de uma tecnologia crescer descontroladamente, o que já ocorreu antes.
"Veja só a história da internet, que é bastante interessante: ela
começou como uma rede militar e depois acabou, gradualmente, sendo
apropriada pela academia e depois pela sociedade. Ela foi
desmilitarizada", relembra o professor Machado. "Nos últimos anos,
observamos a 'remilitarização' e também um grande sistema de vigilância
que foi criado em cima dela. É um grande dilema. Os drones são uma
tecnologia que, em grande parte, foi desenvolvida por interesse militar,
e agora tem um uso civil cada vez maior. Pode ser que venhamos a ter
uma batalha dos drones, com civis usando-os para seguir políticos ou
terroristas fazendo ataques com eles", completa. Mais do que nunca, vale
pensar com cuidado no que você vai dar de presente de Natal para seus
filhos.
Paulo Terron
Repórter multimídia do UOL. Prefere que a pizza dele não seja entregue por um drone.
Fonte: UOL
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